Texte

Conversa com crianças de ruas

Somos crianças pequeninas, que jamais cresceremos.
Somos crianças "desamadas", sem esperança
Somos crianças sem criancice.
Somos crianças sem um futuro.
Somos crianças sem brinquedos, sem nada.
Somos crianças magras, sujas, famintas e trêmulas de medo do homem maldoso, que se julga um grande cidadão.
Somos crianças sem um olhar digno como ser humano.
Somos criminosos, que perambulamos nas noites ou dormimos de baixo da ponte sem cobertores
Somos mesmo crianças criminosas?
Não, nós somos crianças sem proteção.
Somos crianças queimadas do sol ardente e sedentas por um grito de socorro e sem a sensibilidade do ser humano.

Ein Hilfeschrei

Wir sind kleine Kinder, die niemals wachsen werden.
Wir sind unbeliebte Kinder, ohne Hoffnung, ohne Kindheit.
Wir sind Kinder ohne Zukunft.
Wir sind Kinder ohne Spielzeug.
Wir sind Nichts.
Wir sind dreckige und hungrige Kinder.
Wir zittern vor Angst vor den gefährlichen Männern, die durch die Strassen laufen
und sich fühlen als wären sie die Besten und größten Herren auf der Welt.
Wir sind Kinder ohne menschliche Augenblicke.
Man ziert uns wie kriminelle Kinder, die Tag und Nacht durch die Strassen laufen,
wie Ratten.
Wir sind Kinder ohne ein Dach über dem Kopf, wir schlafen bei Regen oder Hitze auf dem Boden.
Sind wird wirklich kriminelle Kinder?
Wer ist verantwortlich für unsere Situation?

von einem Strassenkind in Brasilien

 

 

Die Menschen in Brasilien brauchen unsere Unterstützung. Sie leben dort in ärmlichsten Verhältnissen und müssen nur allzu oft um ihre Existenzen kämpfen.

Mit ihrer Unterstützung ist es unter anderem möglich, für uns selbstverständliche Geräte zu kaufen, wie z.B. eine Schreibmaschine.
Aber ebenso mit kleineren Dingen, wie Gärtnereigeräten, modernen Schulmaterialien, einer Drehmaschine, Büchern und Anziehsachen, kann man diesen Menschen sehr viel Freude bereiten.

Wir sind für Ihre Unterstützung sehr dankbar.

Mit freundlichen Grüssen

Irene de Melo-Müler und Silvia Fischer

 

 

Gente dos Sertões

Na simplicidade de um povo existem grandes almas: Entre a pobreza, a fome e a miséria, ainda existe gente com fé, força e coragem de lutar quando têm uma oportunidade, ou esperar pela vontade de Deus, como diz o brasileiro. Quando está no final das suas forças, ele diz com uma força enorme que vem de dentro de sí: - DEUS HÁ DE DAR UM JEITO. O Cidadão, apesar de ainda ser um anafalbeto, ergue gentilmente o seu tradicional chapeú para uma senhora, forte e corajosa que trás sobre a cabeça a trouxa de roupas lavadas num lugar distante aonde encontrará o último restinho d´água acumulada. As crianças magras, tangem a última rês magra e faminta, de um lado para o outro a procura de um meio de sobrevivência para o último animal de posse da família.

O sol brilha forte e queimando a pele morena das criancas que, improvisam a bola de futebol e como andorinhas gritam alegres atrás deste bolão, se divirtindo.

Nas escolas os alunos ficam fatigados pela temperatura e pela falta de uma alimentação sadia. A escola é desinteressante. O aluno senta-se sem ânimo e com pouco interesse. Não têm a consciência que aprender é a garantia de uma vida melhor no futuro. Muitos pais fazem o possível e o impossível para educar os filhos de uma forma melhor, outros não têm recursos ou têm a cabeça dura para deixar o filho ir para a decadente escola na região. Leva o filho. que ainda é uma criança, para trabalhar com ele na roça. ( Como pode pensar melhor um ignorante anafalbeto?)

Os idosos pacientes esperam pelo seu dia final. Morrer é para muitos uma solução contra a falta de atendimento e apoio social. Muitos morrem socorridos carinhosamente pela a família. As famílias simples, sem conhecimentos medicinais ou um melhor nível escolar acham que o velhinho morrer, é coisa de Deus. Ele tem só que esperar o seu dia final. É triste, muito triste ver-se gente morrer por falta de atendimentos médicos, por falta de recursos ou pela ignorância e falta do saber.

Homens passam as noites vadiando nos botecos. Procuram esquecer os problemas através do bate papo amigável com os camaradas que, na maiorias das vezes, após estarem com a cabeça cheia de álcool, esquecem o valor humano e matam num momento impensado, o companheiro. Depois, se arrependendo mais tarde, por um gesto irrecuperado. Vivem em fuga de um lado para outro com o receio de ser capturado pela a polícia ou pelos vingativos familiares. Entram nas brenhas dos matagais, famintos e sedentos, e quando encontram uma forma, desaparecem deixando para trás a família no abandono da vida. As crianças perderão o pai para sempre que, na maioria dos casos, nãao têm se quer uma foto como lembrança.

As mães tentam esconder das criancas que o pai é um assassino. Contam histórias de abandono ou bonitas fantasias. Assim crescem sem pais e sem a verdade.

Boa Viagem-Ceará

 

 

Por que será que o gigante continua adormecido?

Nós brasileiros sempre nos perguntamos por que será que não vamos nunca para frente? Por que temos tanta miséria, desemprego, faltam de atendimento médico, educação e tantas outras coisas. Por que será, já que nosso país é tão grande, tão rico em flora e fauna, não temos problemas climáticos, nenhum terremoto, ciclone, tufão, nada. E o povo, ah, o povo, dócil, amigável, alegre, generoso, solidário, pacífico. Então por quê? Talvez, por termos tudo isso, essa seja uma das respostas. Não temos sofrimento. Não passamos por adversidades. Não passamos por por sofrimento de guerra. Somos um país jovem. Se tomarmos como exemplo o Japão, a Alemanha e os países Escandinavos, que já foram destruídos pela guerra ou têm situações climáticas adversas, vemos que eles cresceram nas adversidades.

Somos um país de contrastes. Embora tenhamos água em abundância, rios e mares, o Nordeste ainda enfrenta o insolúvel problema da seca. Temos um litoral super povoado e um interior carente de necessidades básicas. Regiões desenvolvidas e outras que não conseguem sair do mesmo lugar, da ignorância, da falta de boas escolas de recursos básicos. Muitos, vivem na miséria e por outro lado, temos uma cultura e um folclore riquíssimo. Convivemos com a violência diária, mas somos extremamente pacíficos em manifestações de massa como o carnaval e o futebol, onde milhares de pessoas convivem em total harmonia e paz ao contrário de outros países ricos onde o estádio de futebol se torna praça de guerra.

Nossa história já começa confusa. Os Portugueses estavam indo para as Índias quando erraram o caminho e descobriram o Brasil. Depois que Cabral zarpou das terras tupiniquins com suas caravelas, Portugal demorou 33 anos para voltar ao solo Brasileiro. E, diga-se a verdade, só voltaram porque Franceses e Holandeses estavam fazendo a festa literalmente, levando nosso ouro e nossas riquezas embora. Os Portugueses voltaram, expulsaram os intrusos e dividiram nosso país em 27 capitanias hereditárias. Ou seja, dividiram o país em 27 fazendas e deram para 27 Portugueses administrar.

Diz-se que os Portugueses que desembarcavam no Brasil naquela época eram os condenados à morte e a sentença era ou morre ou vai pro Brasil.

Outra coisa que deve ser dita é que nossos índios eram extremamente pacíficos, dóceis e também primitivos e ignorantes. Colombo, ao contrário, encontrou civilizações avançadíssimas como os Astecas, os Maias e os Incas. Esses povos também eram excelentes guerreiros e não deram moleza para os Espanhóis.

Até aí, nada de novo. Teorias existem e muitas. Já ouvi que os índios do Norte e do Nordeste do Brasil eram os parias da sociedade Inca e, expulsos da sua tribo, estabeleceram-se no norte e nordeste do Brasil, e a isso devesse a indolência do povo. Já ouvi que o Brasil não vai pra frente por causa do catolicismo, da corrupção de seus governantes, da dívida externa, da ditadura militar, da pobreza, etc, etc.

Nossa pobreza começou de fato com a libertação dos escravos. Os donos de engenho disseram: - Vocês estão livres. Podem ir embora. Mas ir embora pra onde? Sem dinheiro, sem roupas, sem documentos, sem nada. Foi aí que começaram as favelas no Brasil. Nossa cultura escravocrata, além de dar início a pobreza, deu-nos o exemplo do senhor que não trabalhava. O dono de engenho que, passava os dias sentados em uma cadeira, dando ordens a todos os seus escravos e capatazes.

Somos como crianças, ávidas por atenção e carinho. No final da segunda guerra mundial, pela primeira e única vez na vida, o Brasil foi credor dos E.U.A, no governo de Eurico Gaspar Dutra. O que fizemos com o crédito? Enchemos o Brasil de iô-iôs, pirex importados, carros cadilac rabo-de-peixe e de todas as quinquilharias americanas possíveis.

Apesar de todas as adversidades, o Brasil cresce em vários setores da sociedade. Nos esportes somos 5 vezes campeões do mundo no futebol. Somos campeões no vôlei e no automobilismo já fomos várias vezes vencedores. De vez em quando surgem uns gênios no Brasil, Tiradentes, César Lates, Santos Dumont, Heitor Villa-Lobos, João Gilberto, Pelé, Ayrton Senna e tantos nao esquecendo o O escritor Jorge Amado, (Dom Helder Camara, que lutou contra a pobresa e as enrnomes iferencias Sóciais e outros). Talvez, os anos de ditadura tenham nos deixado mais acomodado, com medo de lutar. “Pra que tentar, as coisas não mudam mesmo.” ( eu creio que falta o pulco de pulsso) e o dezejo de muldar esta cituacao para uma realidade mais activa e melhor.

Nosso país é grande, diversificado. O sul é rico, desenvolvido, tem até neve pra lembrar a Europa. Foi lá que se fixaram os Europeus depois da guerra. São Paulo é a locomotiva do país. O Rio, cidade maravilhosa que encanta a todos com suas belezas. O centro-oeste com sua fauna espetacular. O Nordeste com suas praias maravilhosas e seu clima tropical. E, é claro, a majestosa floresta Amazônica o pulmao respiratorrio do mundo. Tanta coisa num só lugar. Dizemos que Deus é Brasileiro. Que Ele estava inspirado quando nos fez.

As respostas para os problemas, nós ainda não temos. Mas acreditamos que o nosso futuro será glorioso. As coisas começaram a mudar. Tivemos um presidente intelectual e agora temos um representante do povo que conhece os seus problemas. Oxalá o nosso Brasil cresça, e conquiste seu lugar de grande líder no mundo.

Autora: Váleria de Figueredo Moreis.

 

 

Eu Creio

Eu Creio
Creio em mim mesmo.
Creio nos que trabalham comigo,
creio nos meus amigos
e creio na minha família.

Creio que Deus me emprestará tudo
que necessito para triunfar,
contanto que eu me esforce para alcançar
com meios lícitos e honestos.

Creio nas orações
e nunca fecharei meus olhos para dormir,
sem pedir antes a devida orientação
a fim de ser paciente com os outros
e tolerante com os que não acreditam
no que eu acredito.

Creio que o triunfo é resultado
de esforço inteligente,
que não depende da sorte,
da magia, de amigos,
companheiros duvidosos ou de meu chefe.

Creio que tirarei da vida
exatamente o que nela colocar.
Serei cauteloso quando tratar os outros,
como quero que eles sejam comigo.

Não caluniarei aqueles que não gosto.
Não diminuirei meu trabalho por ver
que os outros o fazem.

Prestarei o melhor serviço de que sou capaz,
porque jurei a mim mesmo triunfar na vida,
e sei que o triunfo é sempre resultado
do esforço consciente e eficaz.

Finalmente, perdoarei os que me ofendem,
porque compreendo que às vezes
ofendo os outros e necessito de perdão.

Mahatma Gandhi

 

Desprezo

Brasil o que é feito de ti?
O que é feito de mim sem ti?
Sou Brasileiro, sou cidadão que vive na pobreza.
Rondando nas ruas do Rio de Janeiro, com fome e miséria.
Enxotado como ladrão ou cafajeste.
Sou batizado como cristão porém não sou nada não
Vivo como porco sem estábulo
Rondando de um lado para o outro em busca de restos para saciar a minha fome.
Durmo embaixo da ponte, sujo e sem banho, fedo como peste
Não tenho onde lavar as mãos.
Como posso sentir orgulho de ti?
Tuas verdes matas queimadas pelo o homen que se acha o nobre cidadão,
destruindo a nossa própria respiração
Sinto vergonha do que me tornei
Sinto ainda mais vergonha de ti que destrói as florestas pelo luxo do ricão
Não me digas que não presto porque tenho razão.
Sou pobre sou modesto e durmo no chão

Sou Nordestino, sou filho de cabra da peste
Porém não sou cafajeste que esqueço os direitos do meu irmão
Sinto tristeza quando na tua testa vejo aflição.

Irene de Melo-Müller

 Um grito de piedade e socorro

Conversa com Paulinho

Somos crianças do medo e cheias de medo.
Somos crianças esperando que o pequeno príncipe venha com seu cavalo voador e derrame lá de cima um saco cheio de ouro daí riremos, cantaremos e dançaremos pela felicidade de podermos construir uma cidade só para nós criancinhas abandonadas, sem o perigo do homem abusado e o sorriso maldoso das crianças ricas sentindo o rei na barriga.

Pia

Tem gente que diz que somos todos analfabetos, eu não sou não, posso ler e escrever o que eu quero.
Eu tenho treze anos e vivo nas ruas.
Cheiro cola para esquecer as noites de violências sexuais do homem que passa bêbado e dono da verdade e me violenta.
Eu digo que sofro de AIDS ele não se importa diz que é mentira. É verdade, minto para defender-me ele não se importa e me violenta sexualmente.
Vou pedir ao governador para tirar as crianças da rua, vou pedir numa loja uma roupa e um sapato bem bonito.
Daí vou falar com o nosso governador para ele tirar todas as criancas da rua.
E ele vai ter que me atender ele não sabe que eu sou uma criança da rua, eu sei que sou bonita e eu ouvi dizer que os homens gostam de mulheres bonitas.
Com o dinheiro que ele me der, construiremos uma cidade bem planejada, limpa com escola e hospitais, protejeremos as mães sem maridos e viveremos todos como uma única família, buscaremos todas as crianças para que não vivam mais nas ruas sofrendo o desprezo e o abuso de todos.

Estes textos foram retirados de conveças com crianças (gravadas quando fizemos a nossa ação "Um dia feliz e sem fome").

Irene de Melo-Müller

 

Sou Saci, Sou Pererê!

Sou Saci, sou Pererê
Sou negrito e amo você,
criancinha de duas pernas
E criancinha de uma só perna como eu.
Hoje sou um velhinho vivente na floresta
Pulando de um lado para o outro apagando o fogo
Que o homem ignorante faz contra você
do meu velho cachimbo não sai mais fumaça.
Resolvi não mais fumar a fumaça estraga a natureza do universo.
Meus olhos ardiam quando eu fumava, até que um dia, percebi que era a fumaça que tanto os meus olhos, queimava e cada dia ficavam mais vermelhos
Eu enxergava cada dia menos
Não quero ser cego como o homen ignorante que toca fogo nas florestas.
Pensei assim será o sol um dia e ele esquentará tanto que pegará fogo.. por isso não fumo mais,
Se cada um de nós menos queimas fizesse, o mundo não teria tão cedo o seu fim.

Irene de Melo-Müller

 

 

Prefeitura Municipal de Boa Viagem/CE/BR

Dados Geográficos:

Dados estatisticos:

OBS: a maioria destes dados foram tirados do www.ceara.com.br/m/boaviagem


letzte Änderung / última modificação: 15.05.2004